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Marcas esportivas recrutando influenciadores? É falso

UOL Esporte

23/08/2018 04h00

Receber materiais esportivos de uma marca reconhecida, em troca apenas de fotos com os presentes nas redes sociais. É o sonho de muita gente, incluindo atletas de ponta. A proposta parecia tentadora, mas era só mais um caso de estelionato eletrônico.

 

Nas últimas semanas, perfis falsos se passaram por marcas como Adidas, Nike, Under Armour e Vans e ganharam milhares de seguidores com falsas promessas. O caso que mais repercutiu nos últimos dias foi da Adidas.

Uma montagem, com cara de "vaga de emprego", informava que a empresa alemã estava selecionando 100 pessoas para representá-la nas redes sociais. "Você receberá a cada mês um pacote da Adidas com roupas e acessórios da temporada. Seu trabalho será usar e postar", diz a mensagem, colocando como requisitos ter 200 seguidores, seguir um determinado perfil e repostar aquela imagem.

Esse perfil já mudou de nome e retirou qualquer referência à marca alemã (imagem abaixo). Mas manteve 130 mil seguidores. Outras páginas seguem a mesma esteira, alterando a primeira imagem para mudar a arroba, apenas. Juntas, quatro delas já somam mais de 51 mil seguidores.

Muitos deles, atletas de alto rendimento. Em uma fuçada habitual nos perfis seguidos pelo blog Olhar Olímpico, a reportagem passou pelo anúncio da falsa campanha ao menos dez vezes. Entre quem compartilhou estão medalhistas em Campeonatos Mundiais e Jogos Pan-Americanos. Esportistas que, na ponta do lápis, precisam de um patrocínio assim para se manterem.

Em nota, a Adidas culpou o perfil @adidasinfluenciadores (o mesmo que agora tem outro nome e 130 mil seguidores) pela falsa promoção. "Assim como o perfil, a promoção é falsa. A Adidas está tomando as medidas necessárias para punir os responsáveis", informou a marca, que reforçou que só se comunica pelo seu canal oficial: @adidasbrasil.

Campanhas assim não são iniciativas inovadoras. A reportagem encontrou postagens semelhantes em inglês, mais antigas, prometendo patrocínio da Nike a influenciadores. Contando também perfis criados nas últimas horas, em português, as falsas campanhas envolvendo a Nike somam mais de 15 mil seguidores – em uma das páginas, o texto usa até o bordão de telemarketing "vamos estar selecionando". A maior dessas contas, com 10 mil seguidores, foi criada na terça-feira (21). Em nota, a Nike "negou participação em qualquer campanha para recrutamento de influenciadores nas redes sociais".

Cuidado com seus dados!

Rafael Arty, gerente de produtos do Influency.me, empresa especializada no mercado de influenciadores digitais, alerta: "Existem dois modelos de golpes que usam essa estratégia. O primeiro é para pessoas comuns e quem está começando. As páginas oferecem essa oportunidade e, para as pessoas que manifestam interesse, mandam um link parecido com o do Instagram, por exemplo, e eles captam dados e podem raptar os perfis para fazer farm de likes, por exemplo", explica.

A outra possibilidade é que o golpe tenha como intuito inflar o número de seguidores, ganhando de fato pessoas com influência, para depois mudar a URL e vender o perfil. "Isso funciona muito com empresas buscando resultados imediatos e olhando apenas para os números, não para a mensagem que estão enviando".

Arty destaca que o fenômeno lembra muito aquele de alguns anos em que se oferecia iPhones para sorteio. "A diferença é que, antes, o produto era importante. Hoje, ter projeção virou a moeda. Todo mundo quer ser influencer", analisa.

Por Demétrio Vecchioli, do Olhar Olímpico, e Bruno Doro, do Na Vitrine

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